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Cartuchos remanufaturados terão selo de qualidade da Abreci para aumentar mercado
e combater a pirataria
Foi-se
o tempo em que pensar em recarga de cartucho trazia à mente aquela imagem da “máquina”
rudimentar com garrafas PET de tintas coloridas em cima do balcão. Transformá-la
em passado cada vez mais remoto é a meta da Associação Brasileira dos Recondicionadores
de Cartuchos para Impressoras (Abreci), que congrega boa parte dos fabricantes
de suprimentos remanufaturados. Para
comprovar que o cartucho recondicionado é tão bom quanto um exemplar original
– mesmo sendo até 50% mais barato –, uma das primeiras providências da Abreci
foi propor a criação de um selo de qualidade para cartuchos e toners (box abaixo).
“O mercado cresceu, mas muitos ainda entram sem preparo neste segmento. Nosso
selo chega para distinguir o produto de qualidade”, afirma o presidente da entidade,
Antonio Ferreira Guedes. De acordo com dados da associação, o Brasil
está entre os dez maiores recondicionadores mundiais de cartucho para impressora
a laser e jato de tinta, em volume físico. Só perde para os Estados Unidos, e
alguns países da Europa e Ásia. Fabricantes de originais
querem normas da ABNT Desconfiados quanto aos métodos
utilizados para verificar a qualidade das versões recondicionadas, os fabricantes
dos cartuchos originais pedem que as normas levadas em conta na hora da concessão
do selo sejam definidas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).
E válidas para todos. “Não está claro como são feitos os testes. E como o selo
é só deles, não dá para comparar com o cartucho original”, diz a gerente de produtos
e suprimentos da HP Brasil, Zulma Vega. “É a ABNT, como órgão responsável
pela normalização técnica no País, que deve aplicar normas”, completa Zulma.
Chancela só para os que seguirem as recomendações da Abreci e da ABNT
Com o lançamento de seu próprio selo de qualidade, a Abreci espera resgatar a
credibilidade dos cartuchos recondicionados e elevar a qualidade e o controle
dos processos de produção desse tipo de suprimento. Afinal, nas contas da associação,
existem aproximadamente três mil empresas recondicionadoras no Brasil, que respondem
por 15% do mercado de cartuchos de impressão. “Em 2004, houve uma movimentação
de vendas de aproximadamente US$ 50 milhões e a geração de 300 mil empregos diretos
e indiretos. Para este ano, estimamos um aumento de 40% no faturamento por conta
da adoção do selo”, revela Antonio Guedes. A expectativa é de que o selo
holográfico esteja estampado nas embalagens dos cartuchos recondicionados em seis
meses. O selo poderá ser adotado pelas empresas associadas da Abreci (www.abrecipress.org.br) que comprovarem
um mínimo de dois anos de experiência e comprometimento com os processos de produção
e regularização das normas estabelecidas pela própria associação. Muitas delas
em conformidade com as normas ISO definidas pela ABNT. “Entre
os processos estão a avaliação do circuito do cartucho, limpeza, recarga, pressurização,
fase de testes, segunda limpeza, fechamento e embalagem”, explica. O
investimento dos recondicionadores em tecnologia tem sido alto. “Investimos US$
140 mil em máquinas para o nosso laboratório. Temos fábrica própria de tintas
e realizamos vários testes antes de vender o produto”, diz Renato Feder, diretor
da Multilaser, empresa que tem três fábricas no País capazes de produzir, ao todo,
70 mil cartuchos por mês. A Abreci já soma 160 associados em todo o Brasil
– 30 deles sediados no Rio, como a Rei dos Cartuchos. Faça
você mesmo Com alguns cuidados, é possível recarregar
seus cartuchos de tinta. O mercado de recondicionamento está se tornando
tão popular entre os usuários domésticos que já tem gerado situações inusitadas.
“Antes de comprar a impressora, muitos perguntam sobre a facilidade de recondicionamento
do cartucho original”, revela o gerente comercial da Rei dos Cartuchos, Arnaldo
Barcelos do Rosário. Há recargas e recargas. Em vez de comprar cartuchos
de empresas recondicionadoras estruturadas, há quem prefira recondicionar seu
próprio cartucho em casa mesmo. “Com um litro de tinta corante, que custa R$ 48,
dá para fazer até 50 recargas”, conta o analista de sistemas Ítalo da Silva Martins.
Segundo Ítalo, o custo do material para recarrega, como esponjas, seringas
e agulhas de tamanhos diversos, entre outros, é baixo. “Para quem quer investir
na recarga como negócio, o investimento inicial fica em torno de R$ 800. Mas tem
que ter a técnica correta”, diz. Por isso, Ítalo ministra a partir de
sábado o curso Recarga de Cartucho, promovido pela Associação dos Micro e Pequenos
Empresários da Baixada Fluminense (Ampeb). São quatro aulas – sempre
aos sábados, das 8h às 10h – por R$ 100 (material didático e certificado incluídos).
Informações e inscrições pelo telefone 2698-1849, e-mail ampeb@bol.com.br ou no local
do curso, na rua Bernardino de Melo, 1079, Centro, Nova Iguaçu. Conheça
os diferentes tipos de cartucho ORIGINAL. É o cartucho
produzido pelo mesmo fabricante da impressora, como Canon, Epson, HP, Lexmark
e Xerox. Geralmente, conta com selos holográficos para atestar a garantia dos
fabricantes. No site da HP (http://www.hp.com.br), por exemplo,
o consumidor aprende como reconhecer um cartucho falsificado (pirata). “Este é
um dos maiores problemas para os clientes e para nós”, diz Vega. COMPATÍVEL.
Utiliza matéria-prima nova desde a carcaça, passando pelos circuitos, até a tinta,
apesar de não ser produzido pelo fabricante da impressora. Na caixa traz o termo
‘Compatível’, o código do produto dado por seu próprio fabricante, e o código
do cartucho original, para facilitar a conversão por parte do usuário.
RECONDICIONADO. Também chamado de remanufaturado e reciclado. Para fabricá-lo,
são aproveitados cartuchos de tinta e de toner originais ou compatíveis, vazios
e em bom estado. Esses cartuchos recebem então uma nova carga de tinta (preta
ou colorida). Segundo a Abreci, um cartucho pode ser recarregado, em média, seis
vezes. FALSIFICADO. O popular “pirata” é o que mais incomoda os fabricantes
de impressoras e de recondicionados. Tem origem desconhecida e traz a marca do
suprimento original em embalagens também falsificadas, para ludibriar o consumidor.
Alguns usam embalagens originais, roubadas. Custam pouco menos do que o original.
Quase sempre tentam se passar como ‘promoção’. Como
conservar melhor o seu cartucho Para que o cartucho possa
ser recarregado deve estar em bom estado de conservação. Confira algumas dicas:
Evite atritos. O circuito do cartucho – aquela parte que fica em contato
direto com impressora e contém toda a tecnologia da impressão – é extremamente
sensível. Por isso, evite passar o dedo sobre ele e qualquer outro tipo de atrito.
Não insista. Quando uma das cores do cartucho colorido acabar, pare de imprimir
usando apenas as cores que restaram. Isso sobrecarrega o cartucho, que pode até
queimar. Acondicione-o bem. Ao guardar o seu cartucho vazio, a fim de
levá-lo para o recondicionamento, o melhor é embrulhá-lo em jornal para não causar
danos ao circuito.
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