No
início de 2001, uma empresa que comercializa cartuchos de toner remanufaturados
solicitou ao Centro de Pesquisas do Instituto Mauá de Tecnologia (IMT) um estudo
comparativo, cuja idéia principal era testar o desempenho dos cartuchos de toner
originais em relação aos similares remanufaturados. Para
surpresa até do próprio coordenador do estudo, o professor e pesquisador do Centro
de Pesquisas do IMT, Gustavo Felipe Paolillo, o teste constatou que as diferenças
de qualidade entre os originais e os remanufaturados são muito pequenas. “Em termos
de número de cópias impressas para cada um dos cartuchos, os originais geraram
apenas de 2% a 5% de impressões além da quantidade dos remanufaturados”, explica
o pesquisador. Apesar de ficarem bem próximos dos originais no rendimento
do toner, os remanufaturados superaram na qualidade das impressões. “A intensidade
de preto dos remanufaturados foi muito maior do que a apresentada pelos originais”,
acrescenta o professor. Paolillo informa que como nunca foram realizadas
avaliações deste gênero no Brasil, o Centro de Pesquisas do IMT teve que desenvolver
uma metodologia própria para este ensaio comparativo, baseado em algumas normas
internacionais, como as da American Standard (ASTM) e na própria experiência dos
recicladores. Foi montada uma sala específica para a avaliação, onde a temperatura,
umidade e a tensão de alimentação são permanentemente monitoradas. Todos
os ensaios foram realizados na mesma impressora, que após cada teste passava por
uma avaliação para que se mantivesse sempre com as mesmas condições de uso, evitando
assim a possibilidade de haver distorção. “Não queríamos uma avaliação apenas
visual ou subjetiva. Então, depois de imprimir padrões gráficos nas folhas, digitalizamos
as imagens e fizemos análises com a ajuda de um software de processamento de imagens,
que fez o “histograma”, ou seja, uma análise matemática das impressões, com o
fornecimento de dados estatísticos”, detalha o professor. Os cartuchos originais
adotados no teste foram os vendidos pelas fabricantes HP e Lexmark. Os critérios
adotados no teste foram: rendimento do cartucho - quantas folhas foram impressas
sem apresentar falhas na impressão e quanto do toner do cartucho foi desperdiçado
(vai pro recipiente lixo) e quanto foi para a impressão; qualidade - qualidade
gráfica, manchas, marcas, respingos, definições de contorno, uniformidade dos
tons pretos e cinzas e área de impressão; verificação dos componentes dos cartuchos
e da impressora - são analisados se os cartuchos não vazam toner e se estão em
condições normais e não possuem nenhum dano. Também são verificadas as embalagens
para ver se estão de acordo com as recomendações, se não há marcas ou sinais de
vazamento e se contêm indicações de uso. Paolillo informa que o intuito de
teste é mostrar a qualidade dos produtos remanufaturados, quando os mesmos são
comercializados por empresas sérias. “Por ser pioneiro, este teste pode começar
a “moralizar” o mercado de suprimentos, que sofre a pressão constante dos grandes
fabricantes mundiais contra as empresas que comercializam remanufaturados”, conclui
o pesquisador. |